O título do post parece um tanto equivocado, se eu fosse um leitor leigo no assunto entenderia dessa maneira. Entretanto, a relação é bastante pertinente e até arriscaria dizer, intrigante.
Em um estudo recente da Universidade de Iowa, os pesquisadores relataram que o sujeito portador da doença de Alzheimer não esquece dos sentimentos. E isto faz sentido segundo o professor da UFRJ Jerson Laks, uma vez que no processo de desenvolvimento do cérebro humano, a maturação inicialmente ocorre na amígdala, a estrutura responsável pelo desenvolvimento da afetividade (obviamente sob um ponto de vista biológico), ocasionando a formação da chamada "memória afetiva", para em seguida desenvolver o hipocampo, responsável pela memória episódica.
Na visão do professor Laks, embora ainda não tenha sido comprovado, a doença de Alzheimer aparentemente realiza o caminho inverso quando de sua instalação e progressão no sistema nervoso: as primeiras sequelas ocorrem no hipocampo e na grande maioria dos sujeitos afetados pela doença, a amígdala parace não ser afetada, haja vista que os portadores de Alzheimer tendem a expressarem-se de acordo com a entonação de voz de seus interlocutores (basta observar as reações de nervosismo e estresse quando alguns cuidadores e até mesmo parentes exprimem uma atitude ríspida, interpretada pelo tom vocal).
Nesse sentido, mais uma observação importante do professor Laks é que a preparação e capacitação de cuidadores e parentes próximos das pessoas com doença de Alzheimer seja baseada na compreensão da situação pela qual o sujeito passa: apesar de não se lembrar decertos episódios de suas vidas, o paciente não deixa de expressar sentimentos para com aqueles que compartilhou momentos importantes de sua existência.
No sentido prático da rotina diária, acredito ser necessária pelos profissionais da área de saúde, uma avaliação da situação que o paciente de Alzheimer irá encontrar no ambiente em que viverá após o diagnóstico da doença. Em minha opinião, informações e conhecimentos específicos da evolução da doença devem ser compartilhados com todas as pessoas que fazem parte do círculo de amizades e de cuidados do paciente de Alzheimer.
Fica a dica!
Um abraço e até breve.
Roges
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